25.09.06

13:04:03. TERRA_POSTED_BY terramagazine
A escalada de Nasrallah
O conflito entre Israel e o Hezbolá fortaleceu a imagem do xeque Hassan Nasrallah a ponto da popularidade do secretário-geral do "Partido de Deus" entre os libaneses xiitas ganhar ares de culto.
Pôsteres com o rosto do novo "herói" da resistência estão espalhados por casas, carros e postes de cidades e vilarejos do Líbano, principalmente no sul do país.
O fortalecimento da posição de Nasrallah dentro da política libanesa dificultaria o trabalho das forças de paz internacionais para controlar as guerrilhas do Hezbolá numa possível tentativa de reafirmar suas
posições ao longo da fronteira com Israel.
Os grupos políticos que rivalizam com o Hezbolá, responsabilizam Nasrallah pela guerra que deixou cerca de mil mortos e boa parte do sul do Líbano em ruínas e o acusam de tentar desviar a atenção da população.
"A maioria dos libaneses não sente a vitória", declarou o líder cristão Samir Geagea na passeata que reuniu no último domingo dezenas de milhares de pessoas na cidade de Harissa. A manifestação foi uma resposta à primeira aparição pública de Nasrallah desde o início do confronto com Israel que reuniu centenas de milhares de pessoas dois dias antes no subúrbio de Beirute.
A presença de Nasrallah em um subúrbio destruído pelas bombas israelenses foi um desafio a Israel, que ameaçou matá-lo durante o conflito. Ardente orador, o líder do Hezbolá levou a população ao delírio ao celebrar a "vitória sobre Israel" e contar que pouco antes do início do discurso, discutia com seus assessores se deveria comparecer à manifestação: "Mas meu coração, minha mente e minha alma não permitiram me dirigir a vocês à distância ou através de uma tela", declarou.
A enorme popularidade de Nasrallah não se restringe aos libaneses xiitas. A guerra contra Israel fez com que o xeque ganhasse seguidores por todo mundo muçulmano e árabe. Hoje um dos mais respeitados líderes árabes em todo o Oriente Médio, há quem o compare ao egípcio Gamal Abdel Nasser (presidente do Egito entre 1956 e 1970 que liderou um movimento pan-arabista e nacionalizou o Canal de Suez).
Para se ter uma idéia, no Egito, por exemplo, as maiores e mais suculentas tâmaras largamente vendida durante o mês sagrado de Ramadã (que começou esta semana), foram apelidadadas de "Nasrallahs".