

A Coréia do Norte promoveu hoje uma série de testes de mísseis balísticos, provocando fortes reações da comunidade internacional, em especial dos governos dos EUA e Japão. Os primeiros mísseis foram testados na madrugada de quarta-feira e o sétimo míssel foi lançado às 17h22 (5h22, horário de Brasília).
Seis mísseis eram de curto ou médio alcance e teriam caído no mar do Japão, a cerca de 600 km da costa ocidental da ilha japonesa de Hokkaido. O míssel Taepodong-2, com alcance suficiente atingir o Alasca, território dos Estados Unidos, caiu 40 segundos após o seu lançamento
O audacioso exercício militar norte-coreano - realizado no dia em que os Estados Unidos comemoram a independência do país e paralelamente ao lançamento do ônibus espacial Discovery - foi classificado pelo governo dos EUA como "uma provocação". "A Coréia do Norte mais uma vez optou pelo isolamento", disse o secretário de imprensa do governo americano Tony Snow.
O Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje a portas fechadas para discutir a crise dos mísseis asiática. A reunião foi solicitada pelo embaixador do Japão na ONU, Kenzo Oshima, e o Japão pode apresentar um projeto de resolução contra a iniciativa norte-coreana que imponha sanções econômicas.
O porta-voz do governo japonês, Shinzo Abe, anunciou uma série de sanções à Coréia do Norte, entre elas a proibição de entrada no Japão de funcionários norte-coreanos e das tripulações de navios e aviões da Coréia do Norte.
O programa de mísseis norte-coreano tem como base a tecnologia Scud, adquirida através da compra de projéteis da extinta União Soviética e do Egito ao longo das décadas de 1960 e 1970. Atualmente, estima-se que a Coréia do Norte tenha mais de 800 mísseis balísticos. Já vendeu mísseis para o exterior - o Irã é um dos principais compradores.
Washington e Pyongyang estão em um impasse sobre o programa nuclear norte-coreano desde 2002. A Coréia do Norte alega ter armamentos nucleares, mas nunca permitiu a confirmação da informação por analistas internacionais.
A Coréia do Norte disse em artigo publicado hoje na imprensa oficial, ter um poderio militar invencível, mas não fez menção ao lançamento-teste de seis mísseis.